Longas filas e problemas de conexão: cubanos resistem à bancarização da economia

“Sem chance! Não se pode dar nada ao banco”, diz Lisandra Pupo, uma engenheira mecânica cética quanto à “bancarização” das operações econômicas anunciada pelo Banco Central de Cuba, que tenta reduzir o número de cédulas em circulação no país. A nova medida, que entrou em vigor na última quinta-feira (3), obrigará tanto a população quanto as empresas a realizarem, por seis meses, a maior parte de suas transações financeiras através de canais eletrônicos. No entanto, os cubanos acreditam que esta solução dificultará a obtenção de seu próprio dinheiro, devido à limitação tecnológica da ilha.

“Isso é impossível. Agora o caixa automático não tem dinheiro ou não tem conexão”, disse a engenheira de 30 anos, denunciando o limite de saque de 5.000 pesos (cerca de US$ 28 ou R$ 137, na cotação atual).

Desde que o governo cubano implementou a reforma monetária em janeiro de 2021, é cada vez mais comum a população carregar maços de notas para pagar uma simples conta de restaurante ou um serviço em uma oficina mecânica.

“Hoje há um nível significativo de dinheiro que está fora do sistema bancário. Esse dinheiro não circula nos circuitos lógicos da economia e só é negociado entre pessoas físicas”, o que está “incentivando a espiral inflacionária”, explicou Joaquín Alonso, presidente do Banco Central, na segunda-feira (7), em um programa da televisão estatal.

Quando a reforma monetária foi aplicada, o Banco Central cubano injetou uma boa quantidade de capital de giro para “dar poder de compra à população”, dada a expectativa de aumento de preços que acompanhou um aumento salarial médio de 450%.

No entanto, as autoridades reconhecem que enfrentam desafios significativos diante da falta de recursos para instalar e atualizar terminais de pagamento com cartão em todos os estabelecimentos do país.

Para Rossel Garcés, um tipógrafo de 32 anos que trabalha por conta própria, colocar o dinheiro no banco é um problema.

Sabendo “que só posso sacar 5.000 pesos, que esperei três horas na fila, vou para outro banco esperar em outra fila para sacar mais 5.000. Vou passar uma semana para tirar 20.000 pesos?” questiona, adicionando que muitas pessoas na ilha não têm acesso a smartphones para fazer transferências.

‘Escassez” e “inflação’

O economista independente cubano Omar Everleny Pérez considera que “os preços tão elevados e a inexistência de notas de alto valor” tornaram “necessária esta bancarização”.

A inflação interanual chegou a 45,8% em maio, comparada aos 39% registrados em 2022, de acordo com dados oficiais, mas analistas indicam que este número já atingiu os três dígitos.

O anúncio também coincide com as cotações recordes do dólar (240 pesos ou R$ 4,90) e do euro (245 ou R$ 5,38) no mercado informal, segundo o portal independente El Toque.

As micro, pequenas e médias empresas, licenciadas há apenas dois anos, também foram afetadas, já que agora terão de fazer todos os seus negócios eletronicamente. Estes empreendimentos precisam de dólares para realizar suas importações e têm dificuldade de adquiri-los no mercado oficial.

Para o consultor de empresas privadas Oniel Díaz, estas empresas vão perder a capacidade de importar “em um ambiente de escassez e inflação”, disse.

O governo cubano afirmou recentemente que 100% de sua cesta básica é importada, em meio à pior crise econômica em três décadas.

Fonte: AFP




Venezuela anuncia liberação de US$ 1,5 bi bloqueado por sanções

O governo da Venezuela anunciou, ontem (9), que US$ 1,5 bilhão (R$ 7,35 bilhões na cotação atual) do país caribenho, dinheiro que estava bloqueado em Portugal devido a sanções, foram liberados por uma decisão judicial. “O governo bolivariano vence o processo e recupera seus ativos em Portugal”, escreveu o ministro de Comunicação e Informação, Freddy Ñáñez, na rede social X, antigo Twitter. “1,5 bilhão de dólares foram desbloqueados”.

Trata-se de fundos em contas no banco português Novo Banco, em nome de instituições e empresas estatais venezuelanas, como o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (Bandes), a petrolífera PDVSA e suas subsidiárias, conforme mostram capturas de tela divulgadas por Ñáñez da sentença do tribunal português, lida na televisão estatal.

O governo do presidente Nicolás Maduro tem sido alvo de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia após a reeleição do líder socialista em 2018 ter sido denunciada pela oposição venezuelana como “fraudulenta”.

O Novo Banco bloqueou os fundos devido ao reconhecimento formal de Portugal, desde 2019, do líder opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.

A própria oposição eliminou este ano a figura simbólica do “governo interino” de Guaidó, alegando que ele não havia cumprido seus objetivos de mudança política.

Na época, Maduro classificou o bloqueio das contas da Venezuela em Portugal como um “roubo” e estimou esses fundos em mais de US$ 1,7 bilhão (R$ 8,33 bilhões).

Em fevereiro de 2019, a oposição afirmou que havia impedido a administração de Maduro de transferir US$ 1,2 bilhão (R$ 5,88 bilhões) de Portugal para o Uruguai por meio do Bandes, que possui filiais em território uruguaio.

Maduro denuncia que a Venezuela tem pelo menos US$ 24 bilhões (R$ 117,6 bilhões) “sequestrados” no exterior devido às sanções.

Fonte: AFP




A polêmica barca, onde Reino Unido está abrigando solicitantes de refúgio

O Reino Unido começou a abrigar solicitantes de refúgio em uma barca gigante em Dorset, no sul da Inglaterra. A expectativa é que até 500 homens sejam alojados na Bibby Stockholm enquanto aguardam o resultado de seus pedidos.

Segundo o governo britânico, o objetivo principal é reduzir os custos associados à acomodação de refugiados.

Alguns grupos de direitos humanos descreveram o esquema de abrigo como “desumano”, mas ministros insistem que a barca é segura e economizará dinheiro público.

Quem não aceitar ser abrigado na barca não terá direito à acomodação alternativa, informaram fontes do governo britânico.

Onde está localizada a Bibby Stockholm?

A barca está no porto de Portland, em uma península no sul da cidade de Dorset, no sul da Inglaterra, um destino de cruzeiros e navios cargueiros.

Ela está atracada no mesmo local que um navio-prisão, usado para aliviar a superlotação carcerária por nove anos, até 2006.

Houve significativa oposição à iniciativa do governo britânico, devido a preocupações com o bem-estar dos solicitantes de refúgio, bem como o potencial impacto nos serviços locais.

Mas alguns moradores estão determinados a acolhê-los e criaram um grupo de apoio local.

Os primeiros a embarcar receberam kits financiados por meio de doações de moradores locais e montados por voluntários do grupo.

Os kits incluem produtos de higiene pessoal, além de um mapa da região, cadernos, canetas e o número de telefone do grupo de voluntários.

Jornalistas foram autorizados a fazer uma visita guiada pela Bibby Stockholm, antes que os primeiros ocupantes chegassem.

Corredores longos e confusos levam a cabines relativamente espaçosas, que incluem mesa, guarda-roupa, cofre, TV e janelas grandes.

Cada quarto tem um banheiro privativo com chuveiro e existem comodidades adicionais em cada um dos três andares.

Originalmente a barca tinha 222 cabines, que vão acomodar agora 506 ocupantes.

Isso só se tornou possível porque foram colocadas beliches em cada quarto.

Há uma sala de TV com telão e sofás, uma sala de oração ecumênica e uma sala de estudo que pode ser utilizada para reuniões e atividades.

Alguns outros espaços comuns foram convertidos em dormitórios extras para quatro a seis homens — mas jornalistas não tiveram permissão para vê-los.

O refeitório é grande, com um longo balcão para comida e mesas de seis cadeiras dispostas em fileiras.

No dia da visita da imprensa, o cardápio incluía ovos e panquecas no café da manhã, sopa de batata e ensopado de carne no jantar.

Segundo as autoridades, ele mudará regularmente e atenderá às necessidades individuais e aos requisitos religiosos.

Há um ginásio e um espaço de lazer ao ar livre nos dois pátios no centro da barca.

Os ocupantes também terão acesso ao cais, numa área cercada — segundo as autoridades, isso é para garantir a segurança do porto, que também recebe cruzeiros, navios cargueiros e embarcações da Marinha.

Também haverá segurança 24 horas por dia, 7 dias por semana a bordo.

Os solicitantes de refúgio receberão cartões de identificação e terão que passar por controles de segurança semelhante aos de aeroportos para entrar e sair da embarcação.

Por motivos de segurança, eles serão aconselhados a pegar um ônibus que os levará até a saída do porto e, em seguida, usar outros ônibus de hora em hora, entre 9h e 23h, para ir a Portland ou Weymouth.

Não há toque de recolher, mas se eles não voltarem, haverá um “telefonema de bem-estar” para verificar se estão bem.

Estão previstas excursões, assim como atividades esportivas, caminhadas guiadas e visitas a fazendas, além da oportunidade de ajudar a comunidade local.

Os homens receberão atendimento médico na barca ou remotamente, por parte de uma equipe de profissionais de saúde, em meio a preocupações da comunidade local sobre o impacto que mais pessoas teriam na infraestrutura hospitalar da região.

Segundo  jornalista Dan Johnson,  o governo “claramente quer mostrar que essa acomodação não é cruel ou desumana”, apesar de o Ministério do Interior sempre tê-la descrito como “básica e funcional”.

“Certamente não tem o esplendor de um transatlântico — não há uma grande escadaria, belas obras de arte ou esculturas. As escadas parecem bastante industriais”, diz Johnson.

“Mas parece razoavelmente confortável”, acrescenta.

Alguns dos jornalistas que participaram da vista afirmaram que o padrão é melhor do que alguns dos hotéis que atualmente abrigam solicitantes de refúgio.

No entanto, a visita dos profissionais de mídia durou apenas uma hora.

Segundo o governo britânico, alguns homens podem ficar a bordo por até nove meses. E quando a barca estiver lotada, as condições de vida dos ocupantes podem mudar.

O governo diz gastar atualmente 6 milhões de libras (R$ 37,5 milhões) por dia abrigando mais de 50 mil migrantes em hotéis.

O Ministério do Interior diz que, até o outono, pretende alojar cerca de 3 mil solicitantes de refúgio em lugares que não sejam hotéis — como a barca e as antigas instalações militares de Wethersfield e Scampton, nos condados de Essex e Lincolnshire, respectivamente.

O ministro da Imigração, Robert Jenrick, disse que o governo foi “claro que aqueles que chegam ao Reino Unido ilegalmente não devem ser alojados em hotéis caros”.

“Nosso uso de locais de acomodação alternativos e embarcações fornece padrões básicos e apropriados para chegadas de migrantes em pequenos barcos enquanto suas solicitações (de refúgio) são analisadas”, disse ele.

Fonte: BBC News




Epidemia misteriosa: o laboratório secreto que busca evitar o próximo surto global de doenças

Um dos centros de pesquisa científica mais secretos do Reino Unido — Porton Down — trabalha para impedir a próxima pandemia. Passei pela segurança incrivelmente rígida desta instalação remota para obter acesso raro aos cientistas de Porton Down, perto da cidade inglesa de Salisbury. Eles estão baseados no novo Centro de Avaliação e Desenvolvimento de Vacinas.

A partir das experiências e do conhecimento acumulado durante a pandemia do SARS-CoV-2, o centro quer salvar vidas e minimizar a necessidade de isolamento social quando uma nova pandemia chegar.

“A covid-19, é claro, não foi um caso isolado”, diz a professora Jenny Harries, diretora-executiva da Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido (UKHSA, na sigla em inglês), que administra o centro de pesquisa.

“Dizemos que [a covid] foi o maior acontecimento na saúde pública em um século, mas não acho que nenhum de nós pense que demorará um século para que a próxima [pandemia] chegue.”

Porton Down é um dos poucos lugares no mundo equipados para fazer pesquisas com alguns dos vírus e bactérias mais perigosos que você pode imaginar. Os congeladores lá contêm patógenos como o Ebola.

Nos prédios ao lado do centro de pesquisa, funcionam instituições como o Laboratório de Ciência e Tecnologia de Defesa (parte do Ministério da Defesa), onde foi confirmado que a substância novichok foi usada nos envenenamentos de um casal britânico encontrado inconsciente em Salisbury.

Já o Centro de Desenvolvimento e Avaliação de Vacinas foi construído às pressas como parte da resposta à covid.

Mas, à medida que as intensas demandas da pandemia diminuíram, o foco mudou.

O centro de pesquisas com vacinas está se concentrando em três tipos de ameaças:

  • infecções conhecidas que estão ficando mais difíceis de tratar, como de superbactérias resistentes a antibióticos;
  • ameaças que podem causar novos problemas, como a gripe aviária e novas variantes da covid-19;
  • e a “doença X”: algo imprevisto, como a covid, que pode pegar o mundo de surpresa.

Cientistas de Porton Down estão trabalhando na primeira vacina contra a febre hemorrágica da Crimeia-Congo, que é transmitida por carrapatos e mata cerca de um terço das pessoas infectadas.

A doença é encontrada na África, nos Bálcãs, no Oriente Médio e na Ásia — e pode se espalhar ainda mais com as mudanças climáticas.

Na outra ponta do processo, é avaliada a eficácia das vacinas. Foram os cientistas daqui que descobriram que a variante ômicron poderia contornar parte da proteção oferecida pelas vacinas de covid.

E eles ainda estão monitorando novas variantes da covid, cultivando-as em laboratório, expondo-as a anticorpos retirados de amostras de sangue e verificando se novas variantes ainda são capazes de infectar.

Enquanto isso, o centro faz parte da linha de frente no monitoramento do maior surto de gripe aviária do mundo.

O vírus da influenza aviária H5N1 devastou populações de aves, e testes de rotina em trabalhadores rurais encontraram os primeiros casos assintomáticos em pessoas no Reino Unido.

A diferença é que, antes da pandemia, as equipes conseguiam testar apenas 100 amostras por semana — agora, a capacidade é superior a 3 mil.

O laboratório trabalha com o projeto “Missão 100 dias” — um objetivo extremamente ambicioso para desenvolver uma vacina contra uma nova ameaça em 100 dias.

Historicamente, é necessária uma década para projetar e testar novas vacinas. As circunstâncias únicas da pandemia — e do conhecimento científico contemporâneo — fizeram com que as primeiras vacinas contra a covid-19 fossem produzidas em um ano.

Estimativas sugerem que as vacinas de covid-19 salvaram mais de 14 milhões de vidas apenas nos primeiros 12 meses em que foram usadas.

“Imagine se essas vacinas estivessem disponíveis um pouco antes”, diz a professora Isabel Oliver, diretora científica da UKHSA.

“Elas ficaram disponíveis mais rapidamente do que nunca na história, [mas] poderíamos ter salvado muito mais vidas e poderíamos ter retornado à normalidade muito mais rapidamente”.

A esperança é que as lições da pandemia de coronavírus nos tornem mais preparados da próxima vez.

Harries diz que, no passado, estávamos simplesmente reagindo aos incidentes, mas no futuro precisamos estar na frente e “tentar parar” qualquer pandemia antes mesmo de ela começar.

Fonte: BBC News




Cúpula da Amazônia atrai atenção, mas termina sem avanço concreto

Evento teve quase 30.000 pessoas e reuniu países amazônicos, mas não definiu meta contra desmatamento ou debateu petróleo. A Cúpula da Amazônia terminou na 4ª feira (9.ago.2023) com o mérito de ter mobilizado os países da região para o debate conjunto sobre a preservação da floresta. Não avançou, porém, em acordos para metas comuns, especialmente no combate ao desmatamento. A discussão sobre a exploração de petróleo no bioma foi ignorada. Entre o evento principal, que reuniu chefes de Estado e representantes dos 8 países que têm parte da floresta em seus territórios, e o “Diálogos Amazônicos”, com participantes da sociedade civil, foram cerca de 30.000 pessoas em Belém, no Pará, de 4 a 9 de agosto.

Com a Esplanada dos Ministérios em peso na capital paraense, a cúpula organizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu a atenção e mobilização do governo para a Amazônia. Mas pouco contribuiu com o objetivo do petista de se catapultar como grande liderança do meio ambiente mundial por conta do impacto limitado das propostas apresentadas nos documentos finais.

Lula tinha 2 objetivos principais ao idealizar a Cúpula da Amazônia. Um deles seria mostrar os resultados aos europeus como forma de provar que o Brasil está disposto a avançar nas questões ambientais e, assim, concluir o acordo do Mercosul com a União Europeia. O outro era chegar a uma posição conjunta dos países amazônicos, liderados pelo Brasil, a ser apresentada na COP28, que será realizada em Dubai, nos Emirados Árabes, em dezembro.

Lula está de olho na realização da COP30, em 2025, também em Belém. Quer se consolidar como um dos grandes líderes mundiais na questão climática, depois de ter fracassado na tentativa de se posicionar como um negociador pelo fim do conflito entre a Ucrânia e a Rússia.

O objetivo final, segundo aliados, é o Nobel da Paz e o chefe do Executivo acredita que a liderança no tema ambiental pode ajudá-lo nessa missão. Apesar das propostas vagas para unificar as políticas de proteção ao meio ambiente, a realização do evento em si foi comemorada por Lula e pelo governo.

O encontro foi visto com um 1º passo para abrir canais de diálogo mais permanentes sobre questões ambientais com os países amazônicos e com o resto do mundo.

• Aliança para combater o desmatamento — os países amazônicos concordaram em criar uma aliança para combater o desmatamento, mas não estabeleceram metas conjuntas para atingir tal resultado. O Brasil, por exemplo, pretende erradicar o problema na Amazônia até 2030. A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) disse que não houve consenso entre os países;

• Petróleo ignorado — a Declaração de Belém não mencionou nada sobre a exploração de combustíveis fósseis na região. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, por exemplo, afirmou durante a cúpula ser necessário buscar outras fontes econômicas alternativas ao petróleo, carvão e gás que sejam mais sustentáveis para conter as mudanças climáticas. Como o Poder360 revelou, o impasse entre Petrobras e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em pesquisas para extração do óleo na Margem Equatorial não foi tratado na reunião com os ministros Marina Silva (Meio Ambiente) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) na 3ª (8.ago);

• Cobrança aos países ricos — os países com florestas tropicais cobraram que as nações mais ricas paguem US$ 100 bilhões por ano prometidos para financiamento de ações climáticas. O grupo também pediu que os países desenvolvidos ajudem na mobilização de US$ 200 bilhões anuais para implementação de planos nacionais de biodiversidade;

• Relação da Amazônia com mundo — durante a cúpula, Lula defendeu que o protagonismo dos países amazônicos nas discussões sobre o futuro da floresta é um “passaporte para uma nova relação com o mundo, mais simétrica” em comparação ao lugar “subalterno de fornecedores de matérias-primas”. O chefe do Executivo brasileiro ressaltou em momentos diferentes que o evento era a chance de a região falar ao mundo. O presidente disse também que a defesa intransigente da Amazônia “não é radicalismo”, mas “necessidade de sobrevivência humana” e que negar a crise climática atual é “apenas insensatez”;

• Crítica ao protecionismo europeu — sem citar a União Europeia, o presidente criticou a pressão que países do bloco têm feito sobre o Brasil, especialmente a França, por sanções econômicas em caso de descumprimento de regras e metas ambientais. “Medidas protecionistas mal disfarçadas de preocupação ambiental por parte dos países ricos não são o caminho a trilhar”, disse;

• Fortalecimento da OTCA — os países incluíram na Declaração de Belém a determinação de se criar o Painel Intergovernamental Técnico-Científico da Amazônia no escopo da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica. O objetivo do painel será orientar políticas públicas para os países da região a partir da sistematização de informações e elaboração de relatórios periódicos sobre temas prioritários. Integrarão o painel técnicos, cientistas e pesquisadores especializados na região amazônica, com participação permanente de organizações indígenas, de comunidades locais e tradicionais e da sociedade civil. A inclusão deste ponto era uma reivindicação de especialistas, inclusive da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva;

• Participação em fóruns internacionais — Lula defendeu que os países com florestas tropicais precisam ampliar a participação em fóruns internacionais sobre clima. Também reiterou a cobrança que tem feito para que países ricos e desenvolvidos financiem ações de preservação do meio ambiente e de melhoria da qualidade de vida das populações locais;

• Aumento da segurança na região — os países concordaram em criar sistemas para dar maior segurança para a região, como o controle de tráfego aéreo e o uso de um centro de cooperação policial internacional montado pelo governo brasileiro em Manaus (AM). Lula prometeu acabar com o narcotráfico e o crime organizado na região, tarefa já tentada por países como a Colômbia e a Bolívia, sem sucesso até hoje;

• Ausência de Maduro — o presidente da Venezuela cancelou de última hora sua participação por causa de uma otite (infecção no ouvido). Enviou a vice-presidente Delcy Rodrigues no seu lugar.

A Declaração de Belém, com 113 pontos, foi assinada na 3ª (8.ago) pelos 8 países que integram a OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica): Brasil; Bolívia; Colômbia; Equador; Guiana; Peru; Suriname; Venezuela.

O comunicado conjunto dos Países Florestais em Desenvolvimento em Belém foi assinado nesta 4ª (9.ago) por: Bolívia; Brasil; Colômbia; Equador; Guiana; Indonésia; Peru; República Democrática do Congo; República do Congo; São Vicente e Granadinas; Suriname; Venezuela.

O comunicado conjunto dos Países Florestais em Desenvolvimento em Belém foi assinado nesta 4ª (9.ago) por: Bolívia; Brasil; Colômbia; Equador; Guiana; Indonésia; Peru; República Democrática do Congo; República do Congo; São Vicente e Granadinas; Suriname; Venezuela.

Fonte: Poder 360




Por que deflação na China preocupa o mundo

A economia da China entrou em deflação pela primeira vez em mais de dois anos com a queda dos preços em julho. O índice oficial de preços ao consumidor, uma medida de inflação, caiu 0,3% no mês passado em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo analistas, a queda aumenta a pressão sobre o governo para reativar a demanda na segunda maior economia do mundo.

O cenário de deflação segue a divulgação de índices baixos de importação e exportação, que levantaram questões sobre o ritmo da recuperação pós pandêmica da China.

O país também está lidando com a crescente dívida do governo e com desafios no mercado imobiliário.

O desemprego entre os mais jovens, que está em um nível recorde, também está sendo monitorado de perto, já que 11,58 milhões de recém-formados na universidade devem entrar no mercado de trabalho chinês este ano.

A queda dos preços torna mais difícil para a China reduzir sua dívida – e superar todos os desafios decorrentes da deflação, como uma taxa de crescimento mais lenta, disseram analistas.

“Não há receita secreta que possa ser aplicada para elevar a inflação”, diz Daniel Murray, da empresa de investimentos EFG Asset Management.

O especialista sugere uma “mistura simples de mais gastos do governo e impostos mais baixos, juntamente com uma política monetária mais fácil”.

Quando os preços começaram a cair?

A maioria dos países desenvolvidos vivenciou um boom nos gastos do consumidor após o fim das restrições à pandemia. As pessoas que haviam economizado dinheiro de repente estavam aptas e dispostas a gastar, enquanto as empresas lutavam para atender à demanda.

O enorme aumento na demanda por bens cuja oferta era limitada – juntamente com o aumento dos custos de energia após a invasão da Ucrânia pela Rússia – inflacionou os preços.

Mas não foi isso que aconteceu na China, onde os preços não dispararam após o fim das restrições mais rígidas impostas contra o coronavírus. Os preços ao consumidor caíram pela última vez em fevereiro de 2021.

Na verdade, eles estão à beira da deflação há meses, estagnando no início deste ano devido à demanda fraca. Os preços cobrados pelos fabricantes chineses – conhecidos como preços de fábrica – também vêm caindo.

“É preocupante porque mostra que a demanda na China é fraca enquanto o resto do mundo está despertando, especialmente o Ocidente”, diz Alicia Garcia-Herrero, professora adjunta da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong.

“A deflação não ajudará a China. A dívida ficará mais pesada. Tudo isso não é uma boa notícia”, acrescentou.

Por que a deflação é um problema?

A China produz uma grande proporção dos bens vendidos em todo o mundo.

Um potencial impacto positivo de um período prolongado de deflação no país pode ser a contenção do aumento dos preços em outras partes do mundo.

No entanto, se os produtos chineses com preços reduzidos inundarem os mercados globais, isso poderá ter um impacto negativo sobre os fabricantes de outros países.

O investimento das empresas pode ser afetado e levar a uma redução no número de empregos.

Um período de queda de preços na China também pode afetar os lucros das empresas e os gastos do consumidor, o que impacta no aumento do desemprego.

Isso poderia resultar em uma queda na demanda do país – o maior mercado mundial – por energia, matérias-primas e alimentos, o que afetaria as exportações globais.

O que isso significa para a economia da China?

A economia da China já enfrenta outros obstáculos. O país está se recuperando do impacto da pandemia em um ritmo mais lento do que o esperado.

Dados oficiais divulgados na terça-feira (8/8) mostraram que as exportações da China caíram 14,5% em julho em comparação com o ano anterior, enquanto as importações caíram 12,4%.

Os dados do comércio reforçam as preocupações de que o crescimento econômico do país possa desacelerar ainda mais este ano.

Além disso, a China também está lidando com uma crise contínua no mercado imobiliário após o quase colapso de sua maior incorporadora imobiliária, a Evergrande.

O governo chinês tem insistido que tudo está sob controle, mas até agora evitou quaisquer medidas importantes para estimular o crescimento econômico.

Construir confiança entre investidores e consumidores será fundamental para a recuperação da China, disse Eswar Prasad, professor de política comercial e economia da Universidade de Cornell.

“A verdadeira questão é se o governo pode recuperar a confiança no setor privado, para que as famílias saiam e gastem em vez de economizar, e as empresas comecem a investir, o que não foi feito até agora”, dz Prasad.

“Acho que teremos que ver algumas medidas de estímulo significativas (incluindo) cortes de impostos.”

Fonte: BBC News




Biden restringe investimentos na China em inteligência artificial e outras tecnologias

Presidente dos EUA assinou nesta quarta-feira ordem executivo que vise diminuir uso de dinheiro norte-americano para apoiar negócios chineses em três setores estratégicos; objetivo é minar evolução militar do país asiático. O presidente Joe Biden, assinou na quarta-feira (09) uma ordem executiva que proibirá certos investimentos dos Estados Unidos em tecnologia sensível na China e exigirá notificação do governo sobre financiamento em outros setores de tecnologia.

A tão esperada ordem autoriza o secretário do Tesouro dos EUA a proibir ou restringir certos investimentos em entidades chinesas em três setores: semicondutores e microeletrônicos, tecnologias de informação quântica e certos sistemas de inteligência artificial.

Biden disse em uma carta ao Congresso que estava declarando uma emergência nacional para lidar com a ameaça de avanço de países como a China “em tecnologias sensíveis e produtos críticos para as capacidades militares, de inteligência, vigilância ou cibernéticas”.

A proposta visa investimentos em empresas chinesas que desenvolvem software para projetar chips e ferramentas para fabricá-los. Os EUA, o Japão e a Holanda dominam esses campos, e o governo chinês tem trabalhado para criar alternativas domésticas.

China ampliou sua influência diplomática no mundo

A medida pode alimentar as tensões entre as duas maiores economias do mundo, embora as autoridades dos EUA insistam que as proibições visam abordar os riscos de segurança nacional “mais agudos” e não separar as economias altamente interdependentes dos dois países.

O líder democrata do Senado, Chuck Schumer, elogiou a ordem de Biden, dizendo “por muito tempo, o dinheiro americano ajudou a alimentar a ascensão militar chinesa. Hoje os Estados Unidos estão dando um primeiro passo estratégico para garantir que o investimento americano não seja para financiar o avanço militar chinês”. Ele diz que o Congresso deve consagrar as restrições na lei e refiná-las.

Os republicanos disseram que a ordem de Biden não foi longe o suficiente.

O presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, Michael McCaul, elogiou a medida para restringir novos investimentos externos na China, mas disse que “o fracasso em incluir investimentos em tecnologia existentes, bem como setores como biotecnologia e energia, é preocupante”.

A ordem visa impedir que o capital e a experiência americanos ajudem a desenvolver tecnologias que possam apoiar a modernização militar da China e minar a segurança nacional dos EUA. Está focada em private equity, venture capital, joint venture e investimentos greenfield.

A maioria dos investimentos captados pela ordem exigirá que o governo seja notificado sobre eles. Algumas transações serão proibidas. O Tesouro disse que prevê isentar “certas transações, incluindo potencialmente aquelas em instrumentos negociados publicamente e transferências intracompanhias de matrizes dos EUA para subsidiárias”.

Um porta-voz da embaixada chinesa em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário na quarta-feira, mas a embaixada disse na sexta-feira que os Estados Unidos “habitualmente politizam questões de tecnologia e comércio e as usam como ferramenta e arma em nome da segurança nacional”.

Entenda como a inteligência artificial pode afetar os empregos

O senador republicano Marco Rubio disse que a “proposta restrita do governo Biden é quase risível. Está repleta de brechas, ignora explicitamente a natureza de uso duplo de tecnologias importantes e não inclui indústrias que o governo da China considera críticas”.

O senador democrata Bob Casey disse que a ordem de Biden “reconhece a urgência da questão e permitirá que os EUA reduzam alguns dos riscos que enfrentamos de maus atores como a China”.

Os regulamentos afetarão apenas os investimentos futuros, não os existentes, disse um funcionário do governo à Reuters.

O governo Biden disse que se envolveu com aliados e parceiros dos EUA ao desenvolver as restrições “e continuará coordenando estreitamente com eles para promover esses objetivos”. Acrescentou que a ordem executiva reflete as discussões com os países do Grupo dos Sete.

Espera-se que seja implementado no próximo ano, disse uma pessoa informada sobre o pedido, após várias rodadas de comentários públicos, incluindo um período inicial de comentários de 45 dias.

Os reguladores planejam emitir um aviso prévio sobre a proposta de regulamentação para definir melhor o escopo do programa e um período de comentários para solicitar feedback do público antes de fazer uma proposta formal.

Fontes disseram anteriormente que os investimentos em semicondutores que serão restritos devem acompanhar as regras de controle de exportação para a China emitidas pelo Departamento de Comércio dos EUA em outubro.

Emily Benson, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), uma organização bipartidária de pesquisa de políticas, disse esperar que os investimentos em inteligência artificial sejam proibidos para usuários e usos militares, e que outros investimentos no setor exigirão apenas notificação ao governo.

Benson disse que o ônus recairá sobre o governo para determinar qual IA se enquadra na categoria militar.

“Eles terão que traçar uma linha do que constitui uma aplicação militar de IA e definir IA”, disse Benson, diretor do projeto CSIS sobre comércio e tecnologia.

Os regulamentos relativos à IA ainda estão em desenvolvimento, disse a pessoa informada sobre o pedido. A pessoa disse que o mesmo também é verdade para a computação quântica, mas que se espera que ela proíba certos sensores e outras coisas relacionadas à tecnologia.

A pessoa acrescentou que poderia haver possíveis isenções relacionadas a universidades e pesquisas.

Fonte: Reuters




Equador declara estado de exceção e mantém eleições após assassinato de candidato

Em pronunciamento na madrugada desta quinta-feira (10), o presidente do Equador, Guillermo Lasso, decretou estado de exceção no país e afirmou que as eleições presidenciais estão mantidas para o dia 20 de agosto. A decisão veio horas após Fernando Villavicencio, candidato à Presidência do país, ser assassinado a tiros ao deixar um comício em Quito.

“Essa é a melhor razão para ir votar e defender a democracia”, disse Lasso, que chamou o atentado contra Villavicencio de “crime político que tem um caráter terrorista” por alguém que tentou “sabotar o processo eleitoral”.

“Todas as autoridades aqui reunidas se manterão juntas e acordamos que, ante a perda de um democrata e de um lutador, as eleições não serão suspensas; ao contrário, elas precisam ser realizadas e a democracia precisa acontecer”, discursou o presidente.

A ação desloca as Forças Armadas do Equador para todo o território nacional por um período de 60 dias. Segundo Lasso, a medida foi tomada para a “segurança dos cidadãos, a tranquilidade do país e das eleições livres e democráticas de 20 de agosto”.

O governo do Equador também decretou luto oficial de três dias para homenagear Villavicencio.

O assassinato
Villavicencio foi morto na noite desta quarta-feira (9) ao deixar um comício no Anderson College, na cidade de Quito, capital do Equador.

Ele foi baleado várias vezes depois de já estar dentro do carro no qual sairia do local.

Na semana passada, ele havia denunciado ameaças que vinha recebendo de uma facção criminosa, mas disse que se recusava a usar coletes à prova de balas em seus comícios.

Após a morte de Villavicencio, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do Equador [órgão eleitoral máximo do país] repudiou o crime e disse que tais atos de violência maculam o o pleito e da democracia.

Guillermo Lasso lamentou a morte: “Indignado e chocado com o assassinato do candidato presidencial Fernando Villavicencio. Minha solidariedade e condolências à esposa e filhas. Pela sua memória e pela sua luta, garanto-vos que este crime não ficará impune”.

Fonte: CNN




Brasileiros terão isenção de visto para turismo no Japão por até 90 dias

Medida, que entrará em vigor em 30 de setembro, é ação de reciprocidade e o governo brasileiro também concederá concessão aos japoneses que visitarem o país; Itamaraty voltará a exigir visto de cidadãos de Austrália, Canadá e EUA. Brasileiros terão isenção de visto para viagens a turismo ao Japão a partir de 30 de setembro. A informação foi divulgada pelo Itamaraty, o Ministério de Relações Exteriores. A isenção do visto será por até 90 dias. Ao mesmo tempo, o Brasil também concederá isenção de visto aos japoneses em visita ao Brasil.

Segundo nota do MRE, a isenção terá validade inicial de três anos, e passa a vigorar a partir de 30 de setembro de 2023.

Durante o governo Jair Bolsonaro, o Brasil concedeu isenção de visto a cidadãos da Austrália, Canadá, Estados Unidos e Japão em visita ao Brasil, mas o atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva indicou que poderia reverter a medida caso não houvesse reciprocidade de tratamento aos brasileiros do outro país.

Brasil e México adotam sistema eletrônico de visto

O governo brasileiro diz que o acordo “decorre do anúncio do primeiro-ministro Fumio Kishida, por ocasião da visita do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão em maio passado”. O benefício concedido pelo governo japonês, diz o MRE, “permitiu ao governo brasileiro adotar a mesma medida para cidadãos japoneses, em consonância com o padrão da política migratória brasileira, alicerçada nos princípios da reciprocidade e da igualdade de tratamento entre os Estados”.

Sem medidas semelhantes da Austrália, Canadá e EUA, o Brasil voltará a exigir vistos de turistas desses três países a partir de 1º de outubro. A exigência foi oficializada em maio no Diário Oficial.

Fonte: CNN




França fecha contratos de R$ 1 bi para obras de saneamento e infraestrutura verde no Nordeste

O governo da França fechou dois contratos de financiamento de obras de infraestrutura verde e saneamento básico, na região Nordeste, que somam R$ 1,05 bilhão. A Agência Francesa de Desenvolvimento (AfD), assinou com o Banco do Nordeste (BNB) e com a Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Gagepa) empréstimos que somam 200 milhões de euros.

O banco federal recebeu 150 milhões de euros (R$ 788,2 milhões), enquanto a companhia de saneamento da Paraíba ficou com 50 milhões de euros (R$ 262,8 milhões). Os contratos, assinados na quarta-feira, dia 14, preveem ainda mais 900 mil euros (R$ 4,7 milhões) em cooperação técnica e subvenção. São 300 mil euros (R$ 1,56 milhão) para o BNB e 600 mil euros (R$ 3,1 milhões) para a Capega. Não há garantia soberana, o que acelera o tempo de aprovação dos projetos.

O empréstimo ao BNB tem 12 anos para pagamento com carência de quatro; no caso da Cagepa, serão 15 anos com carência de cinco.

O objetivo é fomentar projetos que ampliem a resiliência da região às mudanças climáticas, ampliar acesso a serviços e a reduzir desigualdades sociais, especialmente em municípios pobres do semiárido. O Banco do Nordeste deverá investir principalmente nos setores-chave da energia, água e saneamento, gestão de resíduos sólidos, transportes e iluminação pública.

“Os investimentos serão principalmente direcionados para empresas de grandes e médio porte, mas também podem ser direcionados para prefeituras ou concessões de serviços públicos. Nós acreditamos que uma grande parte do financiamento será para o setor das energias renováveis, em particular solares e eólicas, que está alinhado com a estratégia do Nordeste para se tornar a ‘estação’ de energia renovável do Brasil”, disse ao Estadão Laetitia Dufay, diretora regional da AfD no Brasil e Cone Sul.

A Cagepa vai aplicar os recursos no plano de universalização do saneamento básico na Paraíba, pelos próximos dez anos (2023-2033). A companhia estadual da Paraíba opera sistema de esgoto e de água potável em 22 municípios do Estado, em áreas urbanas e semiurbanas. A maioria das fontes subterrâneas de água é salina, o que exige tratamento especial.

A estimativa da agência é que os investimentos beneficiem 1 milhão de pessoas. O dinheiro poderá ser usado na aquisição de equipamentos, suporte e assistência técnica da estatal. Parte da verba é destinada a políticas de igualdade de gênero na empresa. Esse programa tem duração de cinco anos, entre 2023 e 2027.

A meta de universalização dos serviços de água e esgoto é consequência do novo marco legal do saneamento. Aprovado no governo Jair Bolsonaro e sancionado em 2020, o marco foi alterado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em derrota do Palácio do Planalto, a Câmara dos Deputados derrubou mudanças promovidas pelo petista, e agora o Senado precisa reavaliar a legislação.

Lula havia ampliado prazos para municípios e estatais, flexibilizando as regras impostas. Entre outras, o governo postergou o tempo para que estatais provassem capacidade financeira de realizar investimentos e regularizar os serviços; para que prefeituras formassem blocos regionais, a fim de atrair investidores; e acabou com a obrigatoriedade de realização de licitação para novos contratos, permitindo que estatais mantenham contratos com municípios.

“A AfD apoia a implementação de políticas públicas conforme definidas pelas autoridades brasileiras, que são soberanas nessa matéria. Esse apoio continuará de forma alinhada com as decisões do governo federal e do Congresso Nacional. De fato, acreditamos que este tipo de debate é positivo para a sociedade, esperando-se uma decisão clara e rápida para que a segurança jurídica seja mantida”, afirmou Dufay.

Segundo a diretora, a agência tem compromisso em apoiar empresas com dificuldades de acesso ao crédito e “se esforça para não colocar as empresas em uma posição financeira ainda mais difícil”. Ela também ressaltou que o plano do órgão francês passa pela oferta de crédito em pequenos municípios, que não costuma acessar financiamentos internacionais. Ela citou que a experiência francesa de consórcio pode ser um caminho para regionalização dos serviços de água e saneamento.

Desde 2007, a AfD já firmou contratos que totalizam 2,4 bilhões de euros no País, em 45 projetos. O setor bancário tem 800 milhões de euros — e a agência pretende fortalecer parcerias com instituições financeiras públicas voltadas aos objetivos de desenvolvimento sustentável do Acordo de Paris. Segundo a diretora da AfD, “novas oportunidades também estão sendo exploradas caso a caso ao nível das agências de desenvolvimento de alguns Estados”.

“No setor de água e saneamento, estamos também cada vez mais presentes, ao lado de empresas públicas (CASAN, CAJ, CAGEPA), municípios (São Luís, Rio Grande e Joinville) e Estados (Ceará, Piauí e Bahia). O valor de nossos investimentos já aprovados ou em processo de aprovação neste setor atinge hoje 600 milhões de euros”, afirmou Dufay.

Segundo ela, a AfD iniciou sua presença no País nas regiões Sul e Sudeste e agora existe um foco na expansão para o Nordeste, pela necessidade de desenvolvimento, redução de desigualdades e da exposição às mudanças climáticas. Dufay indicou a existência de uma afinidade de objetivos entre o governo francês e brasileiro. “Essa região é uma prioridade em nosso mandato, nas prioridades da Embaixada da França e também no governo do presidente Lula”, afirmou a diretora.

Na próxima semana, o presidente Lula viaja a Paris a convite do presidente da França, Emmanuel Macron, para discutir financiamento internacional. Lula recebeu na segunda-feira, dia 12, no Palácio do Planalto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que prometeu investimentos da ordem de 10 bilhões de euros na América Latina e no Caribe.

A representante da União Europeia citou ainda projetos de investimento de 2 bilhões de euros em hidrogênio verde, 430 milhões de euros contra o desmatamento e 20 milhões de euros para o Fundo Amazônia. Parte dos recursos destinados às novas fontes de energia limpa passam por financiamentos de instituições como a AfD.

Fonte: Folha Vitoria