Políticas agrícolas não estão à altura do desafio climático, diz OCDE

A maioria das políticas implementadas em todo o mundo para apoiar a agricultura não permitem que o setor se adapte corretamente à mudança climática, revelou um comunicado da OCDE publicado nesta segunda-feira (30). “A maioria das medidas de apoio aos produtores agrícolas”, como pagamentos diretos ou preços garantidos, “não foram concebidas para responder aos objetivos de adaptação à mudança climática”, explicou a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No total, o setor agrícola recebeu 851 bilhões de dólares (mais de 4,2 trilhões de reais) de ajuda anuais entre 2020 e 2022.

“Embora algumas possam favorecer a adaptação, a maioria não facilita – e inclusive pode dificultar – os esforços dos produtores nesse sentido”, indicou o documento.

“Ajudar os agricultores que seguem fazendo o mesmo poderia ser fatal a médio e longo prazo, já que ficarão presos a métodos de produção e a produtos que talvez não sobrevivam ante a mudança climática”, declarou Marion Jansen, diretora de comércio e agricultura da OCDE.

O relatório foi apresentado a um mês da COP28 em Dubai, que deve estabelecer oficialmente que os objetivos do Acordo de Paris ainda não foram cumpridos, e em um momento no qual a mudança climática já está afetando a agricultura mundial.

Em 30 anos, os fenômenos meteorológicos extremos causaram perdas em safras e produção animal no valor de 3,8 trilhões de dólares (quase 20 trilhões de reais), estimou recentemente a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Isso corresponde a cerca de 123 bilhões de dólares por ano (pouco mais de 615 bilhões de reais), ou seja, 5% da riqueza produzida pelos agricultores entre 1991 e 2021, segundo o documento da OCDE.

Grande parte das ajudas atuais podem “impedir mudanças estruturais necessárias”, estimulando, por exemplo, os agricultores a se concentrar em alguns poucos produtos, o que “lhes impede plantar outros que respondam à evolução” do clima, indicou em coletiva de imprensa Mathias Cormann, secretário-geral da OCDE.

“Faltam políticas agrícolas que favoreçam a agilidade e estimulem a se adaptar a um meio ambiente que muda”, detalharam os especialistas.

As iniciativas públicas deveriam se centrar em investir em serviços de interesse comum que beneficiem todo o setor, como a pesquisa, o desenvolvimento e as infraestruturas, segundo a OCDE.

A organização apontou “quase 600” medidas colocadas em prática em diferentes países para preparar a agricultura para a mudança climática, mas “são necessárias medidas adicionais”.

Fonte: AFP




Brasil sofreu 103 bilhões de ataques cibernéticos em 2022

Segundo pesquisa, o país é o segundo maior alvo de cibercriminosos na América Latina; CEO da GW Cloud Company avalia que a implementação de sistemas de segurança distribuída pode colaborar para a minimização de problemas com ciberataques. De acordo com um levantamento elaborado pela Fortinet, empresa global especializada em cibersegurança, em 2022, a América Latina e o Caribe sofreram juntos mais de 360 ​​bilhões de tentativas de ataques cibernéticos. Segundo o estudo, o Brasil foi o segundo maior alvo dos cibercriminosos, recebendo 103 bilhões de tentativas de ataque, ficando atrás apenas do México, que sofreu 187 bilhões de todos os casos registrados.

Já o relatório anual da The State of Ransomware da empresa de segurança digital Sophos, que entrevistou líderes de companhias de médio porte em 14 países, apontou que, em 2022, cerca de 70% das empresas brasileiras que participaram da pesquisa sofreram ataques de ransomware, um tipo de ataque virtual que “sequestra” dados e sistemas operacionais, tornando-os inacessíveis por meio de criptografia, sendo exigido o pagamento de resgate para desbloqueá-los.

“Em um mundo no qual a digitalização permeia todos os aspectos de nossas vidas, a segurança da informação tornou-se imprescindível, sendo urgente que empresas e organizações adotem medidas proativas e estratégias robustas para a proteção de dados”, alerta Luiz Madeira, CEO da GW Cloud Company, especializada em gestão multicloud.

Diante de um cenário de desafios crescentes para a cibersegurança, Madeira avalia que a implementação da chamada segurança distribuída pode desempenhar um papel crucial na mitigação de problemas decorrentes de ameaças cibernéticas.

“A segurança distribuída, marcada pela descentralização de processos, destaca-se por sua capacidade de oferecer uma defesa robusta e adaptativa, diluindo os riscos associados aos sistemas centralizados”, ressalta o especialista.

O CEO da GW Cloud Company destaca ainda que a segurança compartilhada valoriza a colaboração entre empresas, governo e outros stakeholders, o que é crucial para construir uma rede de defesa mais abrangente e eficaz entre clientes, provedores e parceiros.

“Na era da hiperconexão e de ameaças cibernéticas sempre em evolução, a segurança distribuída tem se mostrado cada vez mais uma necessidade imperativa a fim de garantir um futuro digital seguro e resiliente”, avalia.

Fonte: Folha Vitória




De Rússia a Oriente Médio: por que esses conflitos impactam a China

Por mais de um ano, Pequim buscou adotar uma postura comedida sobre a guerra na Ucrânia. A superpotência asiática recusou-se a condenar a invasão e, em vez disso, forneceu apoio diplomático e econômico a Moscou.

Agora, enquanto a guerra de Israel contra o grupo radical islâmico Hamas ameaça se transformar num conflito mais amplo que poderá abalar a estabilidade no Oriente Médio, a China apelou para um cessar-fogo, ao mesmo tempo que critica as ações de Israel.

Pequim também não condenou o Hamas por realizar o que foi chamado de “o dia mais mortal para os judeus desde o Holocausto”, ao mesmo tempo que manifestou o seu apoio a uma solução de dois Estados para a Palestina e Israel.

A posição está em sintonia com o apoio de décadas da China à criação de um Estado palestino, mas também sublinha divisões acentuadas entre Pequim e Washington.

A postura adotada pelo governo chinês destaca ainda os profundos interesses econômicos da China, tanto na Rússia como no Oriente Médio, que pretende defender a todo o custo.

A segunda maior economia do mundo depende de ambos para grande parte das suas necessidades energéticas.

Os parceiros também são uma parte importante da Iniciativa Cinturão e Rota, a Nova Rota da Seda da China: um empreendimento ambicioso, mas controverso para aumentar a conectividade e o comércio em todo o mundo com dinheiro e know-how chineses para desenvolver infraestruturas.

Esses fatores continuarão a desempenhar um papel importante na forma como Pequim responde às falhas geopolíticas, dizem os analistas.

“A China está ansiosa para destacar por quaisquer meios a solidariedade com as principais nações produtoras de petróleo e limitar potenciais consequências que possam desestabilizar ainda mais a origem, perturbar o fornecimento de petróleo e aumentar os preços da energia”, disse Eswar Prasad, professor da Universidade Cornell e ex-chefe da divisão chinesa do FMI.

Velhos aliados

A China é o maior importador de petróleo do mundo e compra 71% do seu consumo de petróleo de países estrangeiros.

O país aumentou as compras de petróleo da Rússia desde a invasão da Ucrânia, à medida que as refinarias lucravam com descontos no fornecimento em meio às sanções ocidentais a Moscou.

A Rússia é hoje o maior fornecedor de petróleo bruto da China, à frente da Arábia Saudita.

O presidente da China, Xi Jingping, deu as boas-vindas ao líder diplomaticamente isolado da Rússia, Vladimir Putin, em Pequim a semana passada.

Putin, chamado de “velho amigo” por Xi durante as suas reuniões, foi convidado de honra numa reunião de cúpula que marcou o 10º aniversário da Iniciativa Cinturão e Rota, da qual a Rússia é um grande participante.

De acordo com um estudo da Universidade Fudan de Xangai, depois do Paquistão, a Rússia recebeu o maior montante de investimentos energéticos entre 2013 e 2021 da China no âmbito da iniciativa.

Tanto a China como a Rússia – que intensificaram a sua retórica comum sobre a necessidade de remodelar uma ordem mundial que consideram liderada pelos Estados Unidos – apelaram a um cessar-fogo e criticaram as ações de Israel.

“Ambos os países cultivam laços estreitos com o Irã e consideram que o envolvimento dos EUA nos assuntos regionais é uma das razões por trás da instabilidade no Oriente Médio”, disse Jean-Loup Samaan, pesquisador sênior do Instituto do Oriente Médio da Universidade Nacional de Singapura.

O Hamas e o Irã são aliados de longa data, mas Teerã negou qualquer envolvimento, apesar de ter elogiado a operação do grupo islâmico em 7 de outubro que matou cerca de 1.400 pessoas em Israel.
Petróleo e mais petróleo

A região desempenha um papel econômico fundamental no crescimento da China.

O Oriente Médio contribui com mais de metade das importações de petróleo do país e com pouco mais de um terço do consumo total de petróleo do país.

“Para cada três barris de petróleo bruto que a China consome, mais de um vem do Oriente Médio”, disse o produtor nacional de petróleo e gás da China em março.

A Arábia Saudita vem estreitando laços com a China e já é há muito tempo o maior fornecedor de petróleo bruto do país, respondendo por 17% das suas importações de petróleo em 2022, antes de ser ultrapassada pela Rússia nos primeiros dois meses deste ano, de acordo com a alfândega chinesa.

O comércio de gás também é forte. O Catar é o segundo maior fornecedor de gás natural liquefeito (GNL) da China, representando um quarto das importações do país.

No ano passado, as importações de GNL da China oriundas do país do Oriente Médio aumentaram 75% em relação ao ano anterior, mostraram estatísticas alfandegárias chinesas.

A China também forjou laços econômicos mais fortes com o Irã, que tem sido sancionado pelos Estados Unidos desde 2018 pelas suas ambições nucleares e agressão militar.

As compras chinesas de petróleo iraniano sancionado atingiram 1,2 milhões de barris por dia na primeira quinzena de setembro, um pouco abaixo do recorde de agosto, de acordo com dados recentes da empresa de localização de petroleiros Vortexa.

A segurança energética tornou-se uma prioridade fundamental para a China, que enfrenta desafios econômicos significativos. Xi enfatizou a importância do fornecimento de energia e da segurança como cruciais para o desenvolvimento nacional.

Ao longo do último ano, Pequim aumentou o seu investimento energético no Oriente Médio.

Em abril, a China Petroleum & Chemical Co (Sinopec), o maior conglomerado mundial de refinação de petróleo e gás, comprou uma participação num campo de gás do Qatar, marcando o primeiro investimento de capital da China na produção de gás do estado do Golfo.

Em novembro passado, a QatarEnergy assinou um acordo de fornecimento de 27 anos com a Sinopec para 4 milhões de toneladas métricas de GNL todos os anos, segundo a refinaria chinesa.

O Oriente Médio também é fundamental para a Nova Rota da Seda.

O investimento chinês nos países árabes e do Oriente Médio aumentou 360% em 2021 em comparação com 2020, de acordo com um estudo da Universidade Fudan publicado no ano passado.

O envolvimento da China em projetos de construção na região aumentou 116% durante o mesmo período.

Necessidade por estabilidade

Se a guerra entre Israel e o Hamas envolver outras nações, poderá prejudicar gravemente a China, disseram analistas.

“A China e os EUA partilham a manutenção da estabilidade regional como um objetivo estratégico”, disse Ahmed Aboudouh, membro associado do programa para o Oriente Médio na Chatham House.

“A conflagração regional significa instabilidade prolongada, e instabilidade prolongada significa ausência de negócios para a China na região”, acrescentou.

“É claro que a China não quer ver os seus interesses econômicos sangrarem.”

No sábado (14), o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, conversaram por telefone, segundo ambos os lados.

Blinken discutiu a importância de manter a estabilidade na região e desencorajar outras partes de entrar no conflito, disse um comunicado do Departamento de Estado dos EUA.

A China apelou à convocação de uma conferência internacional de paz “o mais rapidamente possível”, afirmou um comunicado do ministério de Wang.

“Os interesses econômicos da China na região centram-se principalmente no fornecimento de energia do Golfo e, em menor medida, nos negócios feitos em vários países no domínio da conectividade e infraestruturas digitais”, disse Samaan.

“Esses interesses seriam prejudicados se a tensão com o Irã se intensificasse e desafiasse a estabilidade das águas marítimas no Golfo Pérsico”, disse ele.

“Em certo sentido, eles [a China], na verdade, ganham com o envolvimento dos EUA.”

Fonte: CNN




Guerra no Oriente Médio pode trazer choque maior a mercados de commodities, diz Banco Mundial

O Banco Mundial avalia que a violência no Oriente Médio tem até agora impacto “limitado”, mas acrescenta que os problemas no mercado de energia podem intensificar a insegurança alimentar. No relatório Perspectiva para Mercados de Commodities, a instituição diz que a economia global está em posição “muito melhor” que nos anos 1970 para lidar com um grande choque no preços do petróleo, mas adverte que uma escalada no conflito no Oriente Médio, em quadro já de invasão da Rússia na Ucrânia, levaria os mercados de commodities globais “para águas desconhecidas”.

O Banco Mundial diz que o relatório oferece um avaliação preliminar das implicações de curto prazo do conflito nos mercados de commodities. O estudo conclui que os efeitos devem ser limitados, caso o conflito não se dissemine.

No cenário-base da instituição, os preços do petróleo devem ficar em média em US$ 90 o barril no atual trimestre, antes de recuar a uma média de US$ 81 o barril no próximo ano, conforme a economia desacelera. “Os preços gerais das commodities devem cair 4,1% no próximo ano”, acredita.

O Banco Mundial diz que os preços das commodities agrícolas também deve recuar no próximo ano, conforme a oferta aumenta. Já os preços dos metais básicos devem cair 5% em 2024, enquanto os preços de commodities devem estabilizar em 2025, acrescenta.

Na avaliação do Banco Mundial, os efeitos do conflito nos mercados de commodities têm sido “até agora limitados”. Os preços do petróleo em geral cresceram cerca de 6% desde o início do conflito, aponta, enquanto os preços de commodities agrícolas, da maioria dos metais e de outras commodities pouco se movimentaram.

A perspectiva para preços de commodities pioraria rápido, caso o conflito tivesse uma escalada. O relatório traça três cenários de risco potencial, a partir de contextos passados desde os anos 1970. O Banco Mundial acredita que os efeitos dependeriam sobretudo do grau de problemas para a oferta de petróleo.

Em um cenário de problemas mais limitados, a oferta global de petróleo seria reduzida em 500 mil a 2 milhões de barris por dia, como na guerra civil da Líbia em 2011. Neste caso, o preço iria subir entre 3% e 13%, em comparação com a média do trimestre atual, a uma faixa entre US$ 93 e US$ 102 o barril.

Em um cenário “médio” de problemas, o quadro seria equivalente ao da guerra no Iraque em 2003, com corte na oferta entre 3 e 5 milhões de barris por dia. Isso levaria a uma alta de 21% a 35% nos preços do petróleo, entre US$ 109 e US$ 121 o barril. Já em um de grandes problemas, seria comparável ao embargo árabe do petróleo de 1973, com recuo de 6 a 8 milhões de barris na oferta global de petróleo e alta de 56% a 75% no preço do petróleo, a US$ 140 a US$ 157 o barril.

Em caso de choque severo, seria intensificada a insegurança alimentar, não apenas na região atingida, mas pelo mundo, adverte o Banco Mundial. O cenário até agora de modestos impactos reflete a capacidade global de absorver choques no preço do petróleo, avalia. No caso de uma escalada no conflito, porém, os formuladores de política de países desenvolvidos teriam de adotar medidas para gerenciar potenciais altas na inflação, alerta.

Como melhor opção, o Banco Mundial sugere melhoras na rede de seguridade social, diversificação de fontes alimentares, aumento da eficiência na produção de alimentos e no comércio. No mais longo prazo, defende que todos os países possam reforçar sua segurança energética ao acelerar a transição para fontes de energia renovável.

Fonte: Estadão Conteudo




‘Hipocrisia’: Sul Global critica Ocidente por condenar Rússia mas dar apoio incondicional a Israel

EUA e Europa entram na mira de líderes e da opinião pública de países emergentes que questionam ‘posições conflitantes’ com relação a conflitos no Leste Europeu e no Oriente Médio Por 20 meses, o governo do presidente americano, Joe Biden, buscou estabelecer uma “superioridade moral” em relação à Rússia, condenando a guerra brutal contra a Ucrânia e a morte indiscriminada de civis. O argumento ressoou em grande parte do Ocidente, mas teve menos força em outras partes do mundo.

No Sul Global, a guerra foi muitas vezes percebida como um conflito entre grandes potências e não houve adesão a sanções e ao isolamento de Moscou defendido por Washington. Agora, enquanto Israel bombardeia a Faixa de Gaza, matando mais de 4,3 mil pessoas desde 7 de outubro, o apoio inabalável de Biden aos israelenses corre o risco de criar novos obstáculos aos seus esforços para conquistar a opinião pública global.

Em discurso no Salão Oval da Casa Branca, na quinta-feira, Biden igualou o apoio americano à Ucrânia e a Israel, descrevendo as duas nações como democracias que lutam contra inimigos determinados a “aniquilá-los completamente”. A Rússia invadiu e pretende anexar parte do territóiro da Ucrânia, enquanto o Hamas, grupo que controla Gaza e nega o direito de existência de Israel, deflagrou um ataque terrorista que matou pelo menos 1,4 mil pessoas no sul do país.

Mas o contra-ataque de Israel a Gaza, a iminente uma invasão terrestre em larga escala e o forte apoio dos EUA ao seu mais importante aliado no Oriente Médio, independentemente disso, motivaram acusações de hipocrisia.

Tais acusações não são propriamente novas no conflito do Oriente Médio. Mas a dinâmica da crise dupla foi além do desejo de Washington de reunir apoio global para isolar e punir a Rússia por invadir o seu vizinho europeu.

Cada vez mais, o Oriente Médio se torna uma frente renovada na luta por mais influência no Sul Global, opondo o Ocidente à Rússia e à China.

— A guerra no Oriente Médio aumenta o fosso crescente entre o Ocidente e países como o Brasil e a Indonésia, estados-chave do Sul Global — afirmou Clifford Kupchan, presidente da organização de avaliação de risco Eurasia Group. — Isso tornará a cooperação internacional na Ucrânia, assim como a aplicação de sanções à Rússia, ainda mais difícil.

Críticas de Lula e Widodo

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, líder da nação muçulmana mais populosa do mundo — e que não reconhece Israel —, condenou as “injustiças em curso contra o povo palestino”. “A guerra em Gaza só irá piorar a situação global”, disse ele, ameaçando apoiar o aumento dos preços do petróleo depois de a guerra na Ucrânia já ter desacelerado as exportações de trigo.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o fornecimento de armas dos EUA à Ucrânia como “incentivo” à guerra, mas culpou os dois lados pelo conflito e ofereceu-se para mediar. O Brasil, como presidente rotativo do Conselho de Segurança das Nações Unidas este mês, elaborou uma resolução de cessar-fogo humanitário em Gaza, que também condenou explicitamente “hediondos ataques terroristas do Hamas”.

Fonte: New York Times




“Vítimas da insanidade”, diz Lula a brasileiros na Faixa de Gaza

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva solidarizou-se com os brasileiros presos na Faixa de Gaza durante a guerra entre Israel e o grupo extremista Hamas. Na quinta-feira (26/10), o petista conversou, por chamada de vídeo, com uma família que aguarda a abertura da fronteira com o Egito para retornar ao Brasil.

“Coloco-me no lugar de vocês”, afirmou Lula. “Contem com o governo brasileiro. A gente vai continuar a nossa luta, conversar com os presidentes que for possível conversar, para que a gente consiga libertar os reféns, criar corredores humanitários para as vítimas da insanidade”.

“Ontem, hoje e amanhã estaremos solidários com as vítimas do sequestro, dessa guerra, porque queremos paz”, ressaltou. “É o poder da palavra contra o poder da arma, o poder do diálogo contra o poder da guerra”, completou.

A família relatou ao presidente a situação crítica em Gaza, com escassez de água, energia, alimentos e medicamentos, além do pânico em meio aos bombardeios e às mortes no local. Segundo o Planalto, eles desejam sair da região o mais rápido possível.

Cerca de 30 brasileiros e parentes diretos de palestinos, incluindo essa família, pediram ajuda do Ministério das Relações Exteriores (MRE) para deixar os territórios afetados pela guerra.

O governo brasileiro negocia a autorização para que eles possam sair pela fronteira de Rafah, mas ainda não teve resposta do Egito. O grupo permanece em residências próprias, ou alugadas pelo Itamaraty, ao sul de Gaza.

Fonte: Metrópole




Estados Unidos criticam resolução sobre guerra em análise na ONU Embaixadora reclama que texto não inclui as palavras Hamas e reféns

Os Estados Unidos da América (EUA) criticaram a proposta de resolução apresentada pela Jordânia na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Para a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfild, a proposta não deve ser aprovada por não condenar o Hamas e por não citar o termo reféns, referindo-se às mais de 200 pessoas sequestradas no dia 7 de outubro pelo grupo que controla a Faixa de Gaza.

“Há duas palavras fundamentais que fazem falta na resolução. A primeira delas é Hamas. É o cúmulo que essa resolução não mencione os autores do ataque terrorista de 7 do outubro: o Hamas. É o cúmulo. Outra palavra que faz falta nessa resolução é: reféns”, afirmou.

Linda acrescentou que tais omissões que não deveriam ser permitidas e defendeu a aprovação de uma emenda apresentada pelo Canadá que, segundo a diplomata, “corrige esses esquecimentos flagrantes”. Além disso, a embaixadora disse que a resolução da Jordânia atenta contra uma solução de dois Estados, um para palestinos e outro para israelenses, e contra a integração de Israel ao Oriente Médio.

A Assembleia Geral da ONU está reunida nesta sexta-feira (27) para discutir e votar a proposta de resolução sobre o conflito no Oriente Médio apresentada pela Jordânia e que foi assinada por 39 países com assento no colegiado.

Já o embaixador do Egito na ONU, Osama Abdel Khaleq, defendeu a aprovação da resolução da Jordânia, argumentando que ela apenas pede o respeito aos direitos básicos e às normas de um conflito armado. Ele afirmou que a manutenção da guerra, ao invés de combater o terrorismo, empurra cada vez mais jovens para ideologias extremistas.

“Não atacar os civis, não violar o direito humanitário internacional, não bombardear hospitais ou centros médicos, não privar as pessoas de todas as necessidades básicas, não obrigar o deslocamento forçado, não ao genocídio”, afirmou.

Depois dos impasses no Conselho de Segurança da ONU, os países que apoiam um cessar-fogo imediato na guerra Oriente Médio convocaram uma sessão de emergência da Assembleia Geral.

Enquanto no Conselho de Segurança países como Estados Unidos ou Rússia têm poder de vetar as resoluções, na Assembleia Geral são necessários os votos de dois terços dos países para que seja aprovado um texto apresentado em caráter emergencial.

Por outro lado, resoluções da Assembleia Geral não funcionam como uma ordem, representando mais um gesto político.
Jordânia

Apresentada na quinta-feira (26) pela Jordânia, país vizinho a Israel, a resolução em debate teve o apoio de nações árabes como Arábia Saudita, Bahrein, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait, Líbano, Qatar, Yemen e Omã, além de nações como Rússia, África do Sul e Turquia, entre outras.

Apesar da crítica dos EUA de que a resolução não cita os reféns, o documento pede “a libertação imediata e incondicional de todos os civis que permanecem ilegalmente mantidos em cativeiro”.

O documento pede ainda uma “trégua humanitária imediata, duradoura e sustentada que conduza ao cessar das hostilidades”. Exige que as partes cumpram com o direito internacional, que os civis da Faixa de Gaza tenham acesso aos bens e aos serviços essenciais, como água, alimentos e medicamentos, e que se anule a ordem de Israel para evacuação de todas as pessoas do norte do enclave palestino.

Por fim, a resolução afirma que “uma solução justa e duradoura para o conflito israelense-palestino só poderá ser alcançada por meios pacíficos, de acordo com as resoluções relevantes das Nações Unidas e do direito internacional e com base no a solução de dois Estados”.

Fonte: Agência Brasil




Diplomatas trocam acusações na Assembleia Geral da ONU por conflito Israel-Hamas

Representantes de Israel e de países árabes trocaram fortes acusações na tribuna da Assembleia Geral da ONU ontem (26). Durante dois dias, o órgão debate a guerra entre Israel e o Hamas, após o Conselho de Segurança fracassar em aprovar uma resolução para cessar o conflito. Depois que as divisões ficaram evidentes no Conselho de Segurança com a rejeição, em menos de duas semanas, de quatro projetos de resolução sobre a guerra entre Israel e Hamas, os países árabes, em particular, esperam que a Assembleia Geral (onde a relação de forças é diferente e nenhum país tem direito de vetar a proposta de outro) possa adotar uma posição, embora suas resoluções não sejam vinculantes.

A Jordânia fez circular um projeto de resolução ainda em discussão, que será submetido a votação nessa sexta-feira (27).

“Israel está transformando Gaza em um inferno perpétuo na Terra. O trauma vai perseguir gerações inteiras”, declarou o ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, em nome dos 22 países do grupo árabe. “O direito à autodefesa não é uma licença para matar impunemente, o castigo coletivo não é autodefesa, é um crime de guerra.”

O texto se concentra majoritariamente na situação humanitária, pedindo um “cessar-fogo imediato” e o acesso “sem restrições” de ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Também urge a “todas as partes” que “protejam os civis”, mas não menciona os ataques do Hamas.

Fonte: AFP




Petróleo cai mais de US$ 2 o barril com redução de temores sobre o Oriente Médio

Os preços do petróleo caíram mais de 2 dólares por barril ontem (26), à medida que os temores de um conflito mais amplo no Oriente Médio diminuíram, ao mesmo tempo em que a demanda dos EUA mostrava sinais de enfraquecimento. Os futuros do petróleo Brent fecharam a 87,93 dólares por barril, queda de 2,20 dólares ou 2,44%. Na quarta-feira, o Brent fechou quase 2% mais alto. Os futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA encerraram a 83,21 por barril, queda de 2,18 dólares, ou 2,55%.

Os preços do petróleo foram recentemente impulsionados pelos receios de que o conflito entre Israel e o grupo militante palestiniano Hamas possa afetar o abastecimento global de petróleo, o que poderia envolver o Irã e os seus aliados na região.

“O prêmio de segurança que pagamos desde o início do mês parece estar diminuindo”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital LLC.

Os EUA e outros países estão exortando Israel a adiar uma invasão total de Gaza, que está se recuperando de quase três semanas de bombardeamentos israelitas desencadeados por uma onda de assassinatos em massa no sul de Israel pelo Hamas apoiado pelo Irã.

Um aumento nos estoques de petróleo bruto dos EUA na última semana indicou uma demanda mais fraca.

Os estoques aumentaram 1,4 milhão de barris, para 421,1 milhões de barris, de acordo com a Administração de Informações de Energia (AIE) do EUA, superando o ganho de 240 mil barris esperado por analistas.

Fonte: Reuters




Após proposta do Brasil ser barrada, Lula defende fim do poder de veto no Conselho de Segurança da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (27) as regras do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que garantem poder de veto aos cinco países permanentes do órgão. Lula deu a declaração durante café da manhã, no Palácio do Planalto, com jornalistas que participam da cobertura diária da Presidência da República.

O Conselho de Segurança da ONU é formado por 15 membros, mas somente cinco ocupam os chamados assentos permanentes e, com isso, têm direito a poder de veto. São eles: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.

No último dia 18, a proposta brasileira sobre o conflito entre o grupo terrorista Hamas e Israel recebeu 12 votos favoráveis, mas, vetada pelos Estados Unidos, acabou rejeitada.

Atual presidente rotativo do conselho, o Brasil sugeriu um texto que condenava os ataques terroristas do Hamas e cobrava de Israel o fim do bloqueio à Faixa de Gaza.

Nesta sexta, Lula disse que o poder de veto é uma “loucura” e que o instrumento não é “democrático”. Ele também declarou que o Conselho de Segurança da ONU atualmente “vale muito pouco”.

“[A proposta brasileira] foi rejeitada por causa de uma loucura, que é o direito de veto conseguido pelo país titular do Conselho de Segurança da ONU, que eu sou totalmente e radicalmente contra. Isso não é democrático”, completou Lula.

Ainda sobre o Conselho de Segurança, Lula voltou a defender uma reforma no colegiado, com a entrada de mais membros permanentes, como Brasil, Argentina, México, Egito, Índia e Nigéria, entre outros.

Na conversa com jornalistas, Lula voltou a chamar de “terroristas” os ataques do Hamas contra Israel, mas repetiu que cabe à ONU classificar o grupo como terrorista, o que ainda não foi feito.

“O Brasil só reconhece como organização terrorista aquilo o que o Conselho de Segurança da ONU reconhece. E o Hamas não é reconhecido pelo Conselho de Segurança da ONU como organização terrorista porque ele disputou eleições na Faixa de Gaza e ganhou”, disse.

O Presidente também afirmou que a ONU deveria ter a “coragem” de assegurar a criação do Estado Palestino.

“O Oswaldo Aranha que presidiu, em 1947, a sessão da ONU que criou o estado de Israel. Portanto, a ONU agora deveria ter coragem de assegurar a criação do Estado Palestino. Sabe, viver em paz, harmonicamente, é isso que nós queremos”, disse.

Crítica a Israel

Lula também criticou a resposta do governo israelense aos ataques do Hamas, sobretudo a postura do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Resgate de brasileiros

Lula também comentou sobre os esforços do governo para retirar brasileiros da zona de conflito. Mais de 1,4 mil brasileiros que estavam no território de Israel já foram repatriados em voos da Força Aérea Brasileira.

“Nós não deixaremos um único brasileiro ficar em Israel ou na Faixa de Gaza. Nós vamos tentar buscar todos. Porque esse é um papel do governo brasileiro e já conversei, se eu tiver informação: ‘olha, Lula tem o presidente de tal país que é amigo do Hamas’. É pra esse que eu vou ligar”, disse.

O petista afirmou que está tentando um acordo entre Israel e Egito para abertura de um corredor humanitário que possibilite a retirada de brasileiros que estão na Faixa de Gaza.

Um grupo de cerca de 30 brasileiros aguarda essa negociação para deixar a região, que tem sido alvo de bombardeios e ataques por terra do exército israelense.

Fonte: G1